sexta-feira, 6 de julho de 2012

Onde não há fé, Jesus não pode fazer milagre! Marcos 6,1-6

Texto extraído do livro "Caminhando com Jesus" 
Série A Palavra na Vida 182/183.
Autores: Carlos Mesters e Mercedes Lopes. 
CEBI Publicações.
Mais informações: vendas@cebi.org.br

SITUANDO
Marcos apresenta o crescimento do conflito vivido por Jesus e o mistério de Deus que envolvia sua pessoa. Agora, chegando ao fim, a narração entra numa curva. Começa a aparecer uma nova paisagem. O texto que meditaremos nessa e na próxima semana tem duas partes distintas, como os dois pratos da balança. A primeira descreve como o povo de Nazaré se fecha frente a Jesus (Mc 6,1-6) e a segunda descreve como Jesus se abre para o povo da Galiléia enviando os discípulos em missão (Mc 6,7-13).
No tempo em que Marcos escreveu o seu evangelho, as comunidades cristãs viviam uma situação difícil, sem horizonte. Humanamente falando, não havia futuro para elas. A descrição do conflito que Jesus viveu em Nazaré é do envio dos discípulos, que alargava a missão, despertava nelas a criatividade. Pois para quem crê em Jesus não pode haver uma situação sem horizonte.

COMENTANDO
Marcos 6,1-3: Reação do Povo de Nazaré frente a Jesus
É sempre bom voltar para a terra da gente. Após longa ausência, Jesus também voltou e, como de costume, no dia de sábado, foi para a reunião da comunidade. Jesus não era coordenador, mesmo assim ele tomou a palavra. Sinal de que as pessoas podiam participar e expressar sua opinião. Mas o povo não gostou das palavras dele e ficou escandalizado. Jesus, um moço que eles conheciam desde criança, como é que ele agora ficou tão diferente? O povo de Cafarnaum tinha aceitado o ensinamento de Jesus (Mc 1,22), mas o povo de Nazaré se escandalizou e não aceitou. Motivo? "Esse não é o carpinteiro, filho de Maria?" Eles não aceitaram o mistério de Deus presente num homem comum como eles! Para poder falar de Deus ele teria que ser diferente deles!
Como se vê, nem tudo foi bem-sucedido. As pessoas que deveriam ser as primeiras a aceitar a Boa Nova, estas são as que se recusam a aceitá-la. O conflito não é só com os de fora de casa, mas também com os parentes e com o povo de Nazaré. Eles recusam, porque  não conseguem entender o mistério que envolve a pessoa de Jesus: "De onde vem tudo isso? Onde foi que arranjou tanta sabedoria? Ele não é o carpinteiro, o filho de Maria, irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? E suas irmãs não moram aqui conosco?" Não deram conta de crer.
Marcos 6,4-6a: Reação de Jesus diante da atitude do povo de Nazaré
Jesus sabe muito bem que "santa de casa não faz milagre". Ele diz: "Um profeta só não é estimado em sua própria pátria, entre seus parentes e em sua família!" De fato, onde não existe aceitação nem fé, a gente não pode fazer nada. O preconceito o impede. Jesus, mesmo querendo, não pôde fazer nada. Ele ficou admirado da falta de fé deles.

ALARGANDO
A expressão "Irmãos de Jesus"
Essa expressão é causa de polêmica entre católicos e protestantes. Os protestantes dizem que Jesus teve mais irmãos e irmãs e que Maria teve mais filhos! Os católicos dizem que Maria não teve outros filhos. O que pensar disso?
Em primeiro lugar, as duas posições, tanto dos católicos como dos protestantes, ambas têm argumentos tirados da Bíblia e da Tradição das suas respectivas Igrejas. Por isso, não convém brigar nem discutir esta questão com argumentos só de cabeça, pois trata-se de convicções profundas, que têm a ver com a fé e com o sentimento de ambos. Argumento só de cabeça não consegue desfazer uma convicção do coração! Apenas irrita e afasta! Mesmo quando não concordo com a opinião do outro, devo sempre respeitá-la.
Em segundo lugar, em vez de brigar em torno de textos, nós todos, católicos e protestantes, deveríamos nos unir bem mais para lutar em defesa da vida, criada por Deus, vida tão desfigurada pela pobreza, pela injustiça, pela falta de fé.
CEBI - Centro de Estudos Bíblicos

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Seminaristas da Arquidiocese em missão

Na manhã de ontem, 04 de julho, os seminaristas maiores de nossa Arquidiocese encerraram suas atividades acadêmicas do primeiro semestre de 2012.


Entretanto, o Seminário Maior de Viamão propõe para os seminaristas uma semana missionária.


Estes dias de missão visam fecundar em nossos jovens o amor pela pastoral e pela missão, nos mais variados cantos de nossa Arquidiocese. Os seminaristas serão acolhidos nas paróquias de todos os vicariatos. Nas paróquias, os futuros padres terão a oportunidade de visitar famílias, escolas, hospitais e todas as frentes pastorais, conhecendo assim a realidade de nosso povo e de nossa Igreja Particular, criando desde já um amor pelo povo de Deus e um vínculo maior com o Presbitério de nossa Arquidiocese.


A missão inicia nesta quinta-feira, dia 05 de julho, e se estenderá até o próximo dia 15.


Rezemos pelos seminaristas, pelas Paróquias e os párocos que os acolherão para que sejam dias de convivência, de apostolado, de oração, de fraternidade e de amor, justamente neste ano que celebramos o Ano Vocacional de nossa Arquidiocese.

Ide pois fazer discípulos entre todas as nações!


Paróquias que acolheram seminaristas:


Vicariato de Porto Alegre:
Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora - Pe. Márcio Andrade.
Paróquia Nossa Senhora Aparecida - Pe. Luciano Massullo.
Paróquia São Sebastião - Pe. Eduardo Delazari.
Paróquia São Carlos Borromeu - Pe. Fábio Kristh.
Animação Vocacional - Kairós - Pe. Luís Antônio Larratea.
Cúria Metropolitana, junto a Chancelaria - Cônego Mello.


Vicariato de Canoas:
Paróquia Santo Antônio - Pe. João Batista Neto.
Paróquia Imaculada Conceição - Pe. Leonardo Reichert.
Paróquia São Cristovão - Pe. Vanderley Bock.


Vicariato de Gravataí:
Paróquia São José Operário (Alvorada) - Pe. Luís Inácio Flach


Vicariato de Guaíba:
Paróquia Nossa Senhora do Rosário (Barão do Triunfo) - Pe. Batista Vieira.
Paróquia Nossa Senhora do Livramento (Guaíba) - Pe. Léo Hastenteufel.
Paróquia Nossa Senhora da Paz (Guaíba) - Pe. Adilson Fonseca.

CEBI apóia manifesto pelo Fim das Ameaças e Intimidações a Frei Gilvander Moreira


O Movimento Nacional de direitos Humanos/MG e o Instituto de Direitos Humanos - DH, MIDHIA - Comunicação e Direitos Humanos vem pelo presente, repudiar as constantes ameaças de morte e intimidações sofridas por Frei Gilvander Luis Moreira, Defensor de Direitos Humanos. 

As lutas empreendidas e bandeiras de direitos humanos levantadas em defesa dos pobres de Belo Horizonte e de Minas Gerais  têm incomodado setores que  há tempos fazem de tudo,  para intimidar e  calar a voz deste profeta.

No último dia 21 de junho de 2012, Frei Gilvander Luis Moreira recebeu uma homenagem na Câmara dos vereadores de Belo Horizonte, MG, contemplado com o Diploma de Honra ao Mérito, por indicação do Vereador Adriano Ventura.
http://www.cmbh.mg.gov.br/sala-de-imprensa/banco-de-imagens/2012/diploma-de-honra-ao-merito-ao-frei-gilvander-luis-moreira-ind.

No dia seguinte à homenagem, o Frei  Gilvander  Moreira  voltou a sofrer ameaças por telefone. As ligações e ameaças seguiram nos dias 25, 26 e 27 de junho.  Entre as palavras de ameaças e intimidações o agressor fala palavrões e sugere que o Frei mude de Belo Horizonte   o  quanto antes e que "sua batata já assou".

Entidades e Movimentos que quiserem  poderão socializar essa informação em suas redes  e contatos.  Informamos que estamos tomando as providências necessárias junto as autoridades  competentes, para  que sejam cessadas as ameaças e intimidações. 

O Frei continua Inserido no Programa de Proteção de Defensores  de Direitos Humanos de Minas Gerais - PDDH-MG, conforme o Decreto  6.044/2007, em  parceria com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República - SEDH, a Secretaria de Estado  de Desenvolvimento Social - SEDESE e o Instituto de Direitos  Humanos - Instituto DH.

Assinam: Padre Henrique de Moura Faria  -  Instituto DH; Ana Lúcia Figueiredo -    MiDHia - Comunicação e Direitos Humanos - Gildázio Alves dos Santos - Movimento Nacional de Direitos Humanos/MG

Fonte: http://www.cebi.org.br/noticia.php?secaoId=2&noticiaId=3179 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Capacitação Bíblica do Evangelho de Marcos

A Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana (ESTEF) está oferecendo uma capacitação bíblica para agentes de pastoral que desejam aprofundar o tema do Mês da Bíblia 2012.


O livro proposto para este ano é o Evangelho de Marcos, sob a perspectiva da caminhada do discipulado.

Tema: Discípulos missionários a partir do Evangelho de Marcos
Data: 18/08/2012
Horário: 8h30min às 17h
Valor: R$ 20,00 (inscrição e material)

Assessoria: Ir. Katia Rejane Sassi
Local: ESTEF – Rua Tomás Edson, 212 Bairro Santo Antônio - Porto Alegre
Inscrições: Na secretaria da ESTEF, via telefone (32174567) ou e-mail (estef@estef.edu.br)
Obs.: O almoço não está incluído na taxa, ficando por conta de cada participante.


domingo, 1 de julho de 2012

Pedra de apoio ou pedra de tropeço? (Mt 16,13-19)


A COMUNIDADE DE FÉ
PEDRA DE APOIO OU PEDRA DE TROPEÇO?
Mateus 16,13-19

Texto extraído do livro "Travessia: Quero misericórdia e não sacrifício"
Círculos Bíblicos sobre o Evangelho de Mateus. 
Coleção a Palavra na Vida 135/136 do CEBI. 
Autores: Carlos Mesters, Mercedes Lopes e Francisco Orofino. 
Mais informações em vendas@cebi.org.br.

Neste texto aparecem muitas opiniões sobre Jesus e várias maneiras de se expressar a fé. Pedro, por exemplo, tem opiniões e atitudes tão opostas entre si que parecem não poder caber na vida de uma mesma pessoa. Hoje também existem muitas opiniões diferentes sobre Jesus e também várias maneiras de viver a fé, tanto dentro da gente como dentro da comunidade. Vamos conversar sobre isso.

SITUANDO

Estamos na parte da narrativa entre o Sermão das Parábolas (Mt 13) e o Sermão da Comunidade (Mt 18). Geralmente, nestas partes narrativas que ligam entre si os cinco sermões, Mateus costuma seguir a sequência do Evangelho de Marcos. De vez em quando, cita outras informações, também conhecidas por Lucas. E aqui e acolá, traz textos que só aparecem no Evangelho de Mateus, como é o caso da conversa entre Jesus e Pedro no texto de hoje. Este texto recebe interpretações diversas e até opostas nas várias igrejas cristãs.

Naquele tempo, as comunidades cultivavam uma ligação afetiva muito forte com as lideranças que tinham dado origem à comunidade. Por exemplo, as comunidades de Antioquia na Síria cultivavam a sua ligação com a pessoa de Pedro. As da Grécia com a pessoa de Paulo. Algumas comunidades da Ásia com a pessoa do Discípulo Amado e outras com a pessoa de João do Apocalipse. Uma identificação com estes líderes da sua origem ajudava as comunidades a cultivar melhor a sua identidade e espiritualidade. Mas também podia ser motivo de briga, como no caso da comunidade de Corinto (1Cor 1,11-12).

COMENTANDO

1. Mateus 16,13-16: As opiniões do povo e dos discípulos a respeito de Jesus
Jesus faz um levantamento da opinião do povo a respeito da sua pessoa. As respostas são variadas: João Batista, Elias, Jeremias, algum dos profetas. Quando pergunta pela opinião dos discípulos, Pedro se torna porta-voz e diz: "Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo!" A resposta não é nova. Anteriormente, os discípulos já tinham dito a mesma coisa (Mt 14,33). No Evangelho de João, a mesma profissão de fé é feita por Marta (Jo 11,27). Ela significa que em Jesus se realizam as profecias do Antigo Testamento.

2. Mateus 16,17: A resposta de Jesus a Pedro: "Feliz você Pedro!"
Jesus proclama Pedro "Feliz!", porque recebeu uma revelação do Pai. Aqui também a resposta de Jesus não é nova. Anteriormente, Jesus tinha louvado o Pai por ele ter revelado o Filho aos pequenos e não aos sábios (Mt 11,25-27) e tinha feito a mesma proclamação de felicidade aos discípulos por estarem vendo e ouvindo coisas que antes ninguém conhecia (Mt 13,16).

3. Mateus 16,18-19: As atribuições de Pedro: ser pedra e tomar conta das chaves do Reino

3.1 Ser pedra: Pedro deve ser pedra, isto é, deve ser fundamento firme para a igreja a ponto de ela poder resistir contra as portas do inferno. Com estas palavras de Jesus a Pedro, Mateus anima as comunidades perseguidas da Síria e da Palestina que viam em Pedro a liderança marcante da sua origem. Apesar de fraca e perseguida, a comunidade tem fundamento firme, garantido pela palavra de Jesus. Ser pedra como fundamento da fé evoca a palavra de Deus ao povo no exílio: "Vocês que buscam a Deus e procuram a justiça, olhem para a rocha (pedra) de onde foram talhados, olhem para a pedreira de onde foram extraídos. Olhem para Abraão seu pai e para Sara sua mãe. Quando os chamei, eles eram um só, mas se multiplicaram por causa da minha bênção" (Is 51,1-2). Indica um novo começo do povo de Deus.

3.2 As chaves do Reino: Pedro recebe as chaves do Reino. O mesmo poder de ligar e desligar diz: "É necessário que o Messias sofra e seja morto em Jerusalém". Dizendo que "é necessário", ele indica que o sofrimento estava previsto nas profecias. Não só o triunfo da glória, também o caminho da cruz. Se os discípulos aceitam Jesus como Messias e Filho de Deus, devem aceitá-lo também como Messias Servo que vai ser morto. Mas Pedro não aceita a correção de Jesus e procura dissuadi-lo.

ALARGANDO

Igreja, Assembleia
A Palavra Igreja, em grego ekklésia, aparece 105 vezes no Novo Testamento, quase exclusivamente nos Atos dos Apóstolos e nas Cartas. Nos Evangelhos aparece três vezes, só em Mateus. A palavra significa literalmente "convocada" ou "escolhida". Ela indica o povo que se reúne convocado pela Palavra de Deus e procura viver a mensagem do Reino que Jesus trouxe. A Igreja ou a comunidade não é o Reino de Deus, mas sim um instrumento e uma amostra do Reino. O Reino é maior. Na Igreja, na comunidade deve ou deveria aparecer aos olhos de todos aquilo que acontece quando um grupo humano deixa Deus reinar e tomar conta de suas vidas.

Pedro, Pedra
Jesus deu a Simão o apelido de pedra (Pedro). Pedro era fraco na fé, duvidou, tentou desviar Jesus, teve medo no horto, dormiu e fugiu, não entendia o que Jesus falava. Ele era como os pequenos que Jesus proclamou felizes. Pedro era apenas um dos doze e deles se fazia porta-voz. Mais tarde, depois da morte e ressurreição de Jesus, a sua figura cresceu e se tornou símbolo da comunidade. 

Fonte: http://www.cebi.org.br/noticia.php?secaoId=21&noticiaId=3159