quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
domingo, 5 de fevereiro de 2012
A Cura da sogra de Pedro - Mc 1, 29-39
Ildo Bohn
Gass
Aproximando-se, ele a tomou
pela mão e a fez levantar-se...
A passagem do evangelho segundo Marcos proposta para este final de semana está claramente dividida em três partes.
A cura de uma mulher para a diaconia, o serviço (1,29-31)
No Evangelho segundo Marcos, a primeira cura realizada por Jesus é a expulsão de um espírito impuro de um homem que está sob o domínio de escribas e da sinagoga de Cafarnaum, cidade onde Jesus foi morar, ao iniciar sua missão (Marcos 1,21-28). A lei imposta pelos escribas na sinagoga e no templo, além de ser um peso na vida das pessoas (cf. Mateus 23,1-4; Lucas 13,10-17), impedia que se pensasse e agisse orientado pelo Espírito de Deus. Pois, no dizer de Paulo, “a letra mata, o Espírito é que dá a vida” (2Coríntios 3,6). Por isso, Jesus salva as pessoas dessa força demoníaca que cria dependência e não liberta.
“Logo que saíram da sinagoga, foram com Tiago e João para a casa de Simão e André” (Marcos 1,29). Convém lembrar que, mais do que frequentar o templo, Jesus prefere as casas, prefere o encontro com povo nos caminhos. Ali, todas as pessoas têm acesso ao encontro com Deus. No templo, só podiam entrar os sacerdotes.
Esta narrativa relata a 2ª cura de Jesus, conforme Marcos. Agora, é a sogra de Simão que está doente (Marcos 1,30). Logo que soube, dirigiu-se à cama em que ela estava. Três coisas chamam a atenção. 1) “Ele aproximou-se” (Marcos 1,31). Mais que procurar quem é o próximo, Jesus se torna próximo. 2) “Tomando-a pela mão”, Jesus faz algo fundamental para quem trabalha com pessoas doentes e com quem está na exclusão. Valorizando o toque, o abraço, Jesus valoriza sobremodo as pessoas debilitadas. 3) Jesus “levantou-a”. Enquanto estava deitada, essa mulher não podia ser sujeito com agir próprio. Dependia de outras pessoas. Colocá-la em pé faz dela uma diácona, uma pessoa livre para servir. “E ela se pôs a servi-los”.
Convém lembrar que, se em Marcos a primeira pessoa curada foi um homem (Marcos 1,21-28), a segunda foi uma mulher. Jesus tratava as mulheres com a mesma dignidade com que se relacionava com os homens. Assim como tinha discípulos, tinha também discípulas. Quando Marcos menciona as mulheres que foram com ele até a cruz, cita Maria Madalena, Maria e Salomé, além de muitas outras mulheres que o seguiam, serviam e subiram com ele para Jerusalém como verdadeiras discípulas (cf. Marcos 15,40-41).
E o que nos resta senão também colocar-nos em pé e, com a força do Espírito de Jesus ressuscitado, tornar-nos pessoas livres para servir?
A prática de Jesus liberta de doenças e de possessões (1,32-34)
Naquele dia, depois do pôr do sol e junto à porta da casa de Simão e de André, Jesus ainda curou muitas pessoas enfermas e expulsou demônios, isto é, forças contrárias a Deus e que diminuem a vida de quem está sob seu domínio. As duas curas realizadas anteriormente, a do homem possesso e a da mulher enferma, são símbolos de toda prática libertadora de Jesus. E é prática que não para. Mesmo o sol já posto, Jesus continua libertando pessoas enfermas e endemoninhas.
A proibição de "falar, pois sabiam quem ele era" (Marcos 1,34) faz parte da intenção teológica de Marcos. Ele quer evitar a ideia de Jesus como um messias triunfalista, para reforçar a fé em Jesus como o ungido pelo Espírito de Deus (Marcos 1,10) que vence, aos poucos e de forma humilde como o servo sofredor, as forças contrárias ao espírito do Reino. Por isso, Marcos apresenta Jesus insistindo em que não se divulgue o seu messianismo aos quatro ventos. A proibição se estende aos demônios (Marcos 1,25.34; 3,12), às pessoas curadas (Marcos 1,44; 5,43; 7,36; 8,26) e a seus apóstolos (Marcos 8,30; 9,9), reservando essa revelação somente para o momento da cruz e pela boca de um estrangeiro: "Na verdade, este homem era Filho de Deus" (Marcos 15,39).
De onde vem as forças para a nova prática de Jesus? (1,35-39)
Depois de um dia de atividades salvadoras e que vão noite adentro, Jesus descansa para estar com as energias renovadas para mais um dia de serviço à vida. Mas não basta novo vigor físico. Algo mais profundo é necessário.
Por isso, ainda de madrugada, Jesus se retira para um lugar deserto e ali cultiva sua íntima comunhão com o Pai, o Deus libertador do Êxodo. É que vai ao deserto, lugar por onde Deus guiou seu povo para a liberdade e "lá, ele orava" (Marcos 1,35).
A comunhão com o Pai é o segredo da força de Jesus na solidariedade com as pessoas mais desprezadas de sua época, entre elas as doentes e as possessas por todas as forças de alienação e que não permitem que sejam sujeitos de suas vidas. A intimidade com o Pai, essa espiritualidade de comunhão profunda com o sagrado, faz de Jesus uma pessoa radicalmente livre. A oração é a fonte onde Jesus bebe do mais puro Espírito que sustenta sua ação emancipadora junto às pessoas em estado de dependência, seja em relação às enfermidades, seja em relação às forças que nos alienam, impedindo-nos de sermos filhas e filhos livres e com dignidade.
Ildo Bohn Gass é biblista, leigo católico. É autos da série Uma Introdução à Bíblia. Junto com o Pastor Carlos Dreher (IECLB) e a Revma. Lucia Sírtoli (IEAB), é autor do livro O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.
Fonte: http://www.cebi.org.br/noticia.php?secaoId=21¬iciaId=2720
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Nossa Senhora dos Navegantes, em Porto Alegre
A fé e a
designação Nossa Senhora dos Navegantes, tem início no século XV, com a
navegação dos europeus, especialmente com os portugueses. As pessoas que
viajavam pelo mar pediam proteção a Nossa Senhora para retornarem aos seus
lares. Maria era vista como protetora das tempestades e demais perigos que o
mar e os rios ofereciam.
Nossa
Senhora dos Navegantes é também conhecida pelo nome de Nossa Senhora das
Candeias, Nossa Senhora da Boa Viagem, Nossa Senhora da Boa Esperança e Nossa
Senhora da Esperança.
A devoção à
Senhora dos Navegantes chegou a Porto Alegre em 1869, trazida pelo clero baiano
da comitiva do Bispo Dom Sebastião Dias Laranjeira, e sua imagem foi
encomendada ao escultor João Fonseca Lapa, da Vila Nova de Gaia, Portugal,
pelos portugueses João José de Farias, Joaquim Assunção, Antônio Campos e
Francisco Lemos Pinto.
A imagem foi
primeiramente instalada na Capela do Bom Fim em 1871, sendo então benta, mas
logo em seguida foi levada em procissão até a Capela do Menino Deus, onde ficou
por alguns anos até a construção do seu templo próprio.
Em 21 de
janeiro de 1875 Margarida Teixeira de Paiva doou um terreno, no fim do Caminho
Novo, hoje a Rua Voluntários da Pátria, para construção do primeiro templo
dedicado à Senhora dos Navegantes. Poucos dias depois, uma provisão episcopal
autorizou a construção de uma capela, que foi erguida em madeira.
Contudo, de
início os portugueses proprietários da imagem não consentiram com a sua remoção
da Capela do Menino Deus, e ela passou para os cuidados da Igreja de Nossa
Senhora do Rosário, até que houve um acordo e, então, a imagem foi levada em
procissão fluvial à sua nova casa. Esta primeira capela foi destruída pelo fogo
e, em 1896, foi erguida outra no mesmo lugar, já de alvenaria e, no ano
seguinte, foi promovida a sede do curato. Esta segunda capela também foi
consumida pelas chamas em 21 de dezembro de 1910, junto com a antiga imagem da
padroeira e os arquivos eclesiásticos, salvando-se apenas o cálice da comunhão
e o bastão do juiz.
Novamente a
comunidade reergueu o local de culto, agora ampliado, terminado em 1912 e
inaugurado solenemente em 23 de março de 1913, com uma estátua da Virgem feita
à semelhança da que se perdera no incêndio, também obra de João A. Lapa.
Em 28 de
junho de 1919 o curato foi elevado à paróquia. Em 1935 o templo passou por
obras de ampliação, adicionando-se naves laterais e reformando-se a decoração,
com as obras sendo concluídas em 1945. Em agosto de 2004 o piso foi restaurado.
O edifício
tem um estilo neogótico simplificado, com torre única centralizada e duas naves
laterais com uma série de arcobotantes, pequenos pináculos e pilastras
destacadas no exterior. Sobre a porta de entrada existe um baixo-relevo com a
imagem da Santa salvando náufragos.
No interior
as três naves são decoradas com simplicidade, destacando-se, porém um grande
crucifixo à esquerda da entrada, o gracioso coro, a bela série de vitrais com
figuras diversas nas janelas e a imagem da Padroeira no altar-mor, que é um
fino exemplar de escultura sacra.
A Festa de Nossa Senhora dos Navegantes
A Festa de
Navegantes em Porto Alegre é a maior festa religiosa da cidade de
Porto Alegre, e homenageia Nossa Senhora dos Navegantes e seu sincretismo
afro-brasileiro. É realizada no dia 2 de fevereiro de cada ano.
Originalmente
constava de uma procissão fluvial, com embarcações que singravam o Lago Guaíba
desde o cais do porto, levando a imagem da santa do centro da cidade até a
Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes. Hoje, por determinação impeditiva da
Capitania dos Portos, a procissão é terrestre, levando a imagem desde a Igreja
de Nossa Senhora do Rosário, no centro da cidade, até a Igreja de Nossa Senhora
dos Navegantes.
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