sexta-feira, 15 de abril de 2011

O significado do Domingo de Ramos

A atitude das pessoas contemporâneas de Jesus, que o festejaram na sua entrada em Jerusalém e depois o abandonaram à mercê de seus algozes, se assemelha, muitas vezes, a atitudes de cada um de nós que louvamos a Cristo e nos enchemos de boas intenções para seguir os seus ensinamentos e, ao primeiro obstáculo, nos deixamos levar pelo desânimo, ou pelo egoísmo, ou pela falta de solidariedade e, mais uma vez, alimentamos o sofrimento de Jesus.

A Festa de Ramos com hosanas e saudações, prefigura a vitória de Cristo sobre a morte e o pecado, mas a hora definitiva ainda chegará. Jesus vai ao encontro da paixão com plena consciência e aceitação livre. Tem o poder de solicitar legiões de anjos que venham em seu auxílio, mas renuncia ao uso deste poder. Ele veio trazer a paz ao mundo, escolhe o caminho da humildade, a vontade do Pai se realizando.

Jesus entra em Jerusalém em clima de festa. Parece que Ele quer mesmo isso porque arma a cena que reproduz direitinho a profecia de Zacarias (o rei dos judeus virá como rei pacífico, montado num jumentinho, não numa montaria de guerra). É aquela aclamação. O povo festejava na expectativa de ter finalmente o prometido descendente de Davi, que ia reconduzir Israel a uma situação de vitória até maior do que as glórias idealizadas do passado. "Hosana ao filho de Davi", clamavam. E a lembrança das promessas feitas à dinastia de Davi alimentava certa imagem do Messias. O problema é que essa imagem de Messias poderoso, invencível, não ia combinar bem com o que aguardava Jesus pouco tempo depois.

Entre a entrada festiva como rei em Jerusalém e o deboche da flagelação, da coroação de espinhos e da inscrição na cruz (Jesus de Nazaré, rei dos Judeus), somos levados a pensar: Que tipo de rei o povo queria? E que tipo de rei Jesus de fato foi?

O povo ansiava por um Messias, mas cada um o imaginava de um jeito: poderia ser um rei, um guerreiro forte que expulsasse os romanos, um “ungido de Deus” capaz de resolver tudo com grandes milagres... É verdade que havia também textos que falavam no Messias sofredor, que iria carregar os pecados do povo. Mas essa idéia tão estranha não tinha assim muito apelo. Talvez o povo pensasse como muita gente de hoje: “de sofredor, já basta eu, quero alguém que saiba vencer”.

Deus, como de costume, exagera na surpresa. O Messias, além de não vir alardeando poder, entra na fila dos condenados. Para quem não olhasse a história com os olhos de hoje, não haveria muita diferença entre as três cruzes no alto do monte Calvário.

Domingo de Ramos é o portal de entrada da Semana Santa. 

Para as comunidades cristãs, esta semana maior sempre será um confronto com o problema do mal no mundo. Muito sofrimento. Além das catástrofes naturais, há no mundo muita opção de morte, desde a violência da guerra, o terrorismo, a violência urbana, a morte pela fome e as deficiências até a violência contra a própria natureza.Qual a saída? A guerra preventiva para vencer o terrorismo com o terrorismo? A imposição da idolatria do capital contra o império do mal?  Ou a saída, certamente a mais difícil, não será a da proposta do Evangelho, que passa pelo mistério da paixão, morte e ressurreição do Senhor? 

Muitas vezes Jesus caminha ao nosso encontro e nós não o reconhecemos. Tenhamos a coragem de viver estes dias da Paixão meditando os sofrimentos de Cristo, que são os nossos sofrimentos para vencermos a morte na alegria da Ressurreição.

Dom Eurico dos Santos Veloso

 http://www.cnbb.org.br/site/artigos-dos-bispos/dom-eurico-dos-santos-veloso/2763-o-significado-do-domingo-de-ramos

quinta-feira, 14 de abril de 2011

As galinhas também amam

Poucas pessoas acreditam que um pé de alface sofre quando seu vizinho de horta é arrancado e devorado, ainda vivo, em uma salada. No outro extremo, ninguém duvida que uma mãe se preocupa e compartilha o sofrimento de seu filho. Apesar de a palavra amor fazer pouco sentido quando usada fora do contexto das relações entre seres humanos, a empatia - definida como a capacidade de um animal de ser afetado e compartilhar o sofrimento de outro membro da sua espécie - foi demonstrada em muitos mamíferos.

A reportagem é de Fernando Reinach, biólogo, e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 14-04-2011.

Para os estudiosos do comportamento animal, a empatia existe quando é possível demonstrar que um indivíduo, ao observar o sofrimento ou desconforto de um outro indivíduo, desenvolve reações semelhantes às de quem está sofrendo sem que as causas desse sofrimento estejam presentes. Ratos que observam seus filhotes sendo ameaçados por um predador desenvolvem reações semelhantes às apresentadas pelos filhotes ameaçados.

Quando imobilizamos um bezerro, seu coração bate mais rápido, e a quantidade de adrenalina no seu sangue aumenta. Se a vaca, mãe do bezerro, observar a imobilização do filhote, seus batimentos cardíacos e a concentração de adrenalina também aumentarão, indicando que ela compartilha e está "preocupada" com o destino da cria. A descoberta da empatia entre mamíferos foi um dos argumentos usados para forçar os criadores de porcos e bovinos a adotar práticas "humanitárias" durante a criação e o abate desses animais.

Nas aves, cujo cérebro é muito mais simples do que o dos mamíferos, a empatia nunca havia sido demonstrada. Os cientistas acreditavam que o comportamento de uma galinha ao chamar os pintinhos no terreiro ou cobrir seus filhotes com as asas era totalmente automático e instintivo, não havendo a possibilidade dos sentimentos de um animal contagiar o outro por meio da observação visual. Agora isso mudou: foi demonstrado que uma galinha, ao observar o desconforto de seus pintinhos, sofre alterações metabólicas e comportamentais.

Trinta e duas galinhas foram estudadas nas semanas seguintes ao nascimento de suas ninhadas de pintinhos. O comportamento das galinhas foi analisado em quatro condições experimentais. Em todos os casos, os animais foram colocados em um pequeno cercado dividido ao meio por uma placa de vidro. De um lado ficava a galinha e do outro, os pintinhos. No primeiro experimento, os animais simplesmente ficavam separados. No segundo experimento, além de separados, uma pequena mangueira soprava "pufes" de ar a cada 30 segundos sobre as penas da galinha, o que causa um pequeno desconforto no animal (os pintinhos não eram incomodados). No terceiro caso, o ar era soprado em "pufes" sobre os pintinhos e a galinha não era incomodada. No quarto experimento, somente o barulho do ar era ouvido a cada 30 segundos, mas o ar não agitava as penas de nenhum deles.

Durante o tempo em que os animais ficavam em cada uma dessas situações, os cientistas mediram o batimento cardíaco das galinhas (usando monitores remotos), a temperatura da crista da galinha e de seus olhos (usando câmaras digitais sensíveis à temperatura) e o comportamento das galinhas (filmando todo o experimento e analisando as imagens).

O que foi observado é que, nas situações controle (sem ar assoprando ou somente com o barulho do ar), nenhum dos parâmetros medidos se alterou. Galinhas e pintinhos ficaram felizes, um observando o outro através da parede de vidro. Mas quando o ar soprava sobre a galinha, a temperatura dos olhos e das cristas da galinha mãe diminuía (uma indicação de estado de alerta). Ela parava de ciscar, tomando uma postura de cabeça levantada, também um sinal de alerta, mas seus batimentos cardíacos não se alteravam. O mais interessante foi o resultado obtido quando a galinha não estava sendo incomodada, mas simplesmente observava o ar soprando sobre os pintinhos. Nesse caso, a temperatura dos olhos e da crista também diminuíam, a postura de alerta ficava mais frequente e, além disso, os batimentos cardíacos ficavam mais rápidos e menos regulares. A galinha também emitia com mais frequência o piado típico de "venham para perto, pintinhos".

Os cientistas acreditam que isso demonstra que as galinhas mães, ao observarem visualmente o que estava acontecendo com os pintinhos, tiveram uma reação semelhante à que apresentavam quando eram incomodadas pelo mesmo tipo de estímulo. Isso demonstra que existe algum tido de empatia entre as galinhas e seus pintinhos.

Esta é a primeira vez que o "sentimento" de empatia e "preocupação" é formalmente demonstrado em aves. Tudo indica que as aves são capazes de uma forma primitiva de amor. A descoberta de que uma galinha é capaz de sofrer ao observar o sofrimento de outros membros de sua espécie é um bom argumento para quem defende melhores condições de criação e abate para os milhões de frangos que são produzidos, mortos e devorados pelo Homo sapiens a cada semana.

http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=42417

domingo, 10 de abril de 2011

Por uma Igreja que pensa

Por uma Igreja que pensa - Pe. Zezinho, scj

Leitores que não preparam as leituras.
Cantores que não ensaiam os cantos.
Coroinhas que não ensaiam sua parte.
Sacerdotes que não preparam seus sermões.
Catequistas que não lêem os documentos da Igreja.

Pregadores que não leram o catecismo.
Cantores desafinados que insistem em liderar os cantos da missa.
Músicos sem ritmo e sem ensaios que tocam alto e errado.
Cantores que dão show de uma hora
sem perceber que a guitarra e o baixo estão desafinados.
De quebra, também um dos solistas...

Autores que não aceitam corrigir seus textos e suas letras,
antes de apresentá-los a milhões de irmãos na fé.
Cantores que teimam em repetir uma canção
cuja letra o bispo já disse que não quer que se cante mais.
Párocos que permitem que qualquer um lidere as leituras e o canto.
Párocos que permitem qualquer canção, mesmo se vier errada.

Sacerdotes que ensinam doutrinas condenadas pela Igreja,
práticas e devoções com ranços de heresia ou de desvio doutrinário.
Animadores de programas católicos com zero conhecimento de doutrina.

*** Parecemos um hospital que, na falta de médicos na sala de cirurgia,
permite aos secretários, porteiros e aos voluntários bem intencionados que operem o coração dos seus pacientes.

Há católicos aconselhando, sem ter estudado psicologia.
Há pregadores receitando, sem conhecer a teologia moral.
E há indivíduos ensinando o que lhes vem na cabeça,
porque, entusiasmados com sua fama e sua repercussão,
acham que podem ensinar o que o Espírito Santo lhes disse naquela hora.

Nem sequer se perguntam se de fato era o Espírito Santo que lhes falou
durante aquela adoração, ou aquela noite mal dormida!

Está faltando discernimento na nossa Igreja!
Como está parece a casa da mãe Joana,
onde todos falam e apenas uns poucos pensam no que falam.
Uma Igreja que não pensa acaba dando o que pensar!


Data da publicação: 20/07/2010

sábado, 9 de abril de 2011

Amigos da Bíblia 7 - O evangelho de João

O evangelho de João

O evangelho de João é também chamado de quarto evangelho. Ele é posterior aos evangelhos sinóticos (Mc, Mt e Lc). Sua estrutura difere muito dos demais. É um evangelho bastante espiritual. João apresenta Jesus de forma preexistente (Jo 1,1-17). Ele diz: “No princípio era o Verbo, o Verbo estava em Deus e o Verbo era Deus” (Jo 1,1). Jesus, o Verbo, era Deus e estava desde o princípio. Estava como Verbo, mas ele resolveu se encarnar na história dos humanos.

João apresenta seu evangelho se desenvolvendo em duas semanas. Logo no primeiro capítulo ele começa a contar dias, como no Gênesis 1. Ele descreve o início da ação de Jesus (Jo 1,19ss) e depois diz: “No dia seguinte” (Jo 1,29). O mesmo ele repete em Jo 1,35 e em Jo 1,43. Nas bodas de Caná ele diz: “ três dias depois”, ou “no terceiro dia” (Jo 2,1ss). Está ali iniciando a primeira semana e nela Jesus age criando o homem novo. A primeira semana culmina com a ressurreição de Lázaro (Jo 11). Em Jo 12 ele inicia a segunda semana. “Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia” (Jo 12,1). Esta segunda semana culmina no sábado santo, quando Jesus está na sepultura (Jo 19,38ss).

Agora acabou a velha realidade. Com a ressurreição de Jesus inicia a nova semana, ou seja, o domingo sem ocaso. “No primeiro dia da semana, Maria Madalena vai ao sepulcro (Jo 20,1). É no primeiro dia da semana que Maria Madalena encontra o ressuscitado e o testemunha aos apóstolos (Jo 20,18). Ainda é no primeiro dia da semana, à tarde que Jesus aparece aos discípulos; “À tarde deste mesmo dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas...! (Jo 20,19ss). Foi neste primeiro dia que Jesus assopra o Espírito Santo sobre os apóstolos e lhes dá a missão de continuar a sua obra pelo mundo. Tomé, o incrédulo, não participou do primeiro dia e por isto não chegou à fé no ressuscitado (Jo 20,24). Oito dias depois, portanto, novamente no primeiro dia da semana, a comunidade estava reunida e Tomé estava com a comunidade e o milagre acontece: no primeiro dia ele pode proclamar: “meu senhor e meu Deus” (Jo 20,28). Agora é o primeiro dia que não termina ou o domingo sem ocaso. Neste dia acontece a Igreja, isto é, a adesão a Jesus pela fé, mesmo sem ter visto.

Concluindo

Jesus fez muito mais do que está escrito nos evangelhos (Jo 20,30 e Jo 21,25). João se valeu de uma parte e dispôs esta parte numa redação lógica para apresentar Jesus como aquele que veio para recriar o homem novo. A obra de Jesus se completa com a paixão, morte e ressurreição. Agora iniciou a nova realidade. O ressuscitado pede a adesão pela fé, pois assim a sua obra continua através da história. Muitas outras idéias poderiam ser destacadas no quarto evangelho, mas devido ao espaço ficamos por aqui. Noutras ocasiões estudaremos partes dos evangelhos, e provavelmente também do evangelho segundo S. João.

Frei Bruno Glaab


sábado, 2 de abril de 2011

“Aprendi”...


Aprendi
que eu não posso exigir o amor de ninguém,
posso apenas dar boas razões para que gostem de mim
e ter paciência, para que a vida faça o resto.
Aprendi
que não importa o quanto
certas coisas sejam importantes para mim,
tem gente que não dá a mínima
e eu jamais conseguirei convencê-las.
Aprendi
que posso passar anos construindo uma verdade
e destruí-la em apenas alguns segundos.
Aprendi
que posso usar meu charme por apenas 5 minutos...
depois disso, preciso saber do que estou falando.
Eu aprendi...
Que posso fazer algo em um minuto
e ter que responder por isso o resto da vida.
Aprendi
que por mais que se corte um pão,
cada fatia continua tendo duas faces...
e o mesmo vale para tudo
o que cortamos em nosso caminho.
Aprendi
Que vai demorar muito para me transformar
na pessoa que quero ser... 
e devo ter paciência.
Mas aprendi também,
que posso ir além dos limites que eu própria coloquei.
Aprendi
que preciso escolher entre
controlar meus pensamentos ou ser controlado por eles.
Aprendi...
Que os heróis são pessoas
que fazem o que devem fazer “naquele” momento, independentemente
do medo que sentem.
Aprendi
que perdoar exige muita prática
e que há muita gente que gosta de mim,
mas não consegue demonstrá-lo.
Aprendi...
Que nos momentos mais difíceis,
a ajuda veio justamente daquela pessoa
que eu achava que iria tentar piorar as coisas.
Aprendi
que posso ficar furiosa.
Tenho direito de me irritar, mas não tenho o direito de ser cruel.
Aprendi
e repasso ao mundo,
que jamais posso
dizer a uma criança que seus SONHOS SÃO IMPOSSÍVEIS,
pois seria uma tragédia para o mundo
se eu conseguisse convencê-la disso.
Eu aprendi
que meu melhor amigo vai me machucar de vez em quando...
E que eu tenho que me acostumar com isso.
Aprendi
que não é o bastante ser perdoada pelos outros...
eu preciso me perdoar primeiro.
Aprendi que,
não importa o quanto meu coração esteja sofrendo,
o mundo não vai parar por causa disso.
Eu aprendi...
Que as circunstâncias de minha infância são responsáveis
pelo que eu sou,
mas não pelas escolhas que eu faço quando adulto.
Aprendi que,
numa briga, eu preciso escolher de que lado estou,
mesmo quando não quero me envolver.
Aprendi
que, quando duas pessoas discutem, não significa que elas se odeiem;
e quando duas pessoas não discutem,
não significa que elas se amem.
Aprendi que,
por mais que eu queira proteger os meus filhos,
eles vão se machucar e eu também.
Isso faz parte da vida.
Aprendi
que a minha existência
pode mudar para sempre, em poucas horas,
por causa de gente que eu nunca vi antes.
Aprendi
também que diplomas na parede não me fazem
mais respeitável nem mais sábia.
Aprendi
que as palavras de amor perdem o sentido,
quando usadas sem critério.
E que amigos não são apenas para guardar no fundo do peito,
mas para mostrar que são amigos.
Aprendi
que certas pessoas vão embora da nossa vida
de qualquer maneira, mesmo que desejemos
retê-las para sempre
Aprendi, afinal
que é difícil traçar uma linha entre ser gentil,
não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas em que acredito.
Enfim, eu aprendi
que ainda tenho muito
a aprender em minha vida.