sábado, 1 de janeiro de 2011

LIBERDADE RELIGIOSA, CAMINHO PARA A PAZ

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE

BENTO XVI

PARA A CELEBRAÇÃO DO

XLIV DIA MUNDIAL DA PAZ

1 DE JANEIRO DE 2011



LIBERDADE RELIGIOSA, CAMINHO PARA A PAZ

1. NO INÍCIO DE UM ANO NOVO, desejo fazer chegar a todos e cada um os meus votos: votos de serenidade e prosperidade, mas sobretudo votos de paz. Infelizmente também o ano que encerra as portas esteve marcado pela perseguição, pela discriminação, por terríveis atos de violência e de intolerância religiosa.

Penso, em particular, na amada terra do Iraque, que, no seu caminho para a desejada estabilidade e reconciliação, continua a ser cenário de violências e atentados. Recordo as recentes tribulações da comunidade cristã, e de modo especial o vil ataque contra a catedral siro-católica de «Nossa Senhora do Perpétuo Socorro» em Bagdad, onde, no passado dia 31 de Outubro, foram assassinados dois sacerdotes e mais de cinquenta fiéis, quando se encontravam reunidos para a celebração da Santa Missa. A este ataque seguiram-se outros nos dias sucessivos, inclusive contra casas privadas, gerando medo na comunidade cristã e o desejo, por parte de muitos dos seus membros, de emigrar à procura de melhores condições de vida. Manifesto-lhes a minha solidariedade e a da Igreja inteira, sentimento que ainda recentemente teve uma concreta expressão na Assembleia Especial para o Médio Oriente do Sínodo dos Bispos, a qual encorajou as comunidades católicas no Iraque e em todo o Médio Oriente a viverem a comunhão e continuarem a oferecer um decidido testemunho de fé naquelas terras.

Agradeço vivamente aos governos que se esforçam por aliviar os sofrimentos destes irmãos em humanidade e convido os católicos a orarem pelos seus irmãos na fé que padecem violências e intolerâncias e a serem solidários com eles. Neste contexto, achei particularmente oportuno partilhar com todos vós algumas reflexões sobre a liberdade religiosa, caminho para a paz. De fato, é doloroso constatar que, em algumas regiões do mundo, não é possível professar e exprimir livremente a própria religião sem pôr em risco a vida e a liberdade pessoal. Noutras regiões, há formas mais silenciosas e sofisticadas de preconceito e oposição contra os crentes e os símbolos religiosos. Os cristãos são, atualmente, o grupo religioso que padece o maior número de perseguições devido à própria fé. Muitos suportam diariamente ofensas e vivem frequentemente em sobressalto por causa da sua procura da verdade, da sua fé em Jesus Cristo e do seu apelo sincero para que seja reconhecida a liberdade religiosa. Não se pode aceitar nada disto, porque constitui uma ofensa a Deus e à dignidade humana; além disso, é uma ameaça à segurança e à paz e impede a realização de um desenvolvimento humano autêntico e integral.[1]

De fato, na liberdade religiosa exprime-se a especificidade da pessoa humana, que, por ela, pode orientar a própria vida pessoal e social para Deus, a cuja luz se compreendem plenamente a identidade, o sentido e o fim da pessoa. Negar ou limitar arbitrariamente esta liberdade significa cultivar uma visão redutiva da pessoa humana; obscurecer a função pública da religião significa gerar uma sociedade injusta, porque esta seria desproporcionada à verdadeira natureza da pessoa; isto significa tornar impossível a afirmação de uma paz autêntica e duradoura para toda a família humana.

Por isso, exorto os homens e mulheres de boa vontade a renovarem o seu compromisso pela construção de um mundo onde todos sejam livres para professar a sua própria religião ou a sua fé e viver o seu amor a Deus com todo o coração, toda a alma e toda a mente (cf. Mt 22, 37). Este é o sentimento que inspira e guia a Mensagem para o XLIV Dia Mundial da Paz, dedicada ao tema: Liberdade religiosa, caminho para a paz.

Direito sagrado à vida e a uma vida espiritual

2. O direito à liberdade religiosa está radicado na própria dignidade da pessoa humana,[2] cuja natureza transcendente não deve ser ignorada ou negligenciada. Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1, 27). Por isso, toda a pessoa é titular do direito sagrado a uma vida íntegra, mesmo do ponto de vista espiritual. Sem o reconhecimento do próprio ser espiritual, sem a abertura ao transcendente, a pessoa humana retrai-se sobre si mesma, não consegue encontrar resposta para as perguntas do seu coração sobre o sentido da vida e dotar-se de valores e princípios éticos duradouros, nem consegue sequer experimentar uma liberdade autêntica e desenvolver uma sociedade justa.[3]

A Sagrada Escritura, em sintonia com a nossa própria experiência, revela o valor profundo da dignidade humana: «Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, a lua e as estrelas que lá colocastes, que é o homem para que Vos lembreis dele, o filho do homem para dele Vos ocupardes? Fizestes dele quase um ser divino, de honra e glória o coroastes; destes-lhe poder sobre a obra das vossas mãos, tudo submetestes a seus pés» (Sl 8, 4-7).

Perante a sublime realidade da natureza humana, podemos experimentar a mesma admiração expressa pelo salmista. Esta manifesta-se como abertura ao Mistério, como capacidade de interrogar-se profundamente sobre si mesmo e sobre a origem do universo, como íntima ressonância do Amor supremo de Deus, princípio e fim de todas as coisas, de cada pessoa e dos povos.[4] A dignidade transcendente da pessoa é um valor essencial da sabedoria judaico-cristã, mas, graças à razão, pode ser reconhecida por todos. Esta dignidade, entendida como capacidade de transcender a própria materialidade e buscar a verdade, há de ser reconhecida como um bem universal, indispensável na construção duma sociedade orientada para a realização e a plenitude do homem. O respeito de elementos essenciais da dignidade do homem, tais como o direito à vida e o direito à liberdade religiosa, é uma condição da legitimidade moral de toda a norma social e jurídica.

Liberdade religiosa e respeito recíproco

3. A liberdade religiosa está na origem da liberdade moral. Com efeito, a abertura à verdade e ao bem, a abertura a Deus, radicada na natureza humana, confere plena dignidade a cada um dos seres humanos e é garante do respeito pleno e recíproco entre as pessoas. Por conseguinte, a liberdade religiosa deve ser entendida não só como imunidade da coação mas também, e antes ainda, como capacidade de organizar as próprias opções segundo a verdade.

Existe uma ligação indivisível entre liberdade e respeito; de fato, «cada homem e cada grupo social estão moralmente obrigados, no exercício dos próprios direitos, a ter em conta os direitos alheios e os seus próprios deveres para com os outros e o bem comum».[5]

Uma liberdade hostil ou indiferente a Deus acaba por se negar a si mesma e não garante o pleno respeito do outro. Uma vontade, que se crê radicalmente incapaz de procurar a verdade e o bem, não tem outras razões objetivas nem outros motivos para agir senão os impostos pelos seus interesses momentâneos e contingentes, não tem uma «identidade» a preservar e construir através de opções verdadeiramente livres e conscientes. Mas assim não pode reclamar o respeito por parte de outras «vontades», também estas desligadas do próprio ser mais profundo e capazes, por conseguinte, de fazer valer outras «razões» ou mesmo nenhuma «razão». A ilusão de encontrar no relativismo moral a chave para uma pacífica convivência é, na realidade, a origem da divisão e da negação da dignidade dos seres humanos. Por isso se compreende a necessidade de reconhecer uma dupla dimensão na unidade da pessoa humana: a religiosa e a social. A este respeito, é inconcebível que os crentes «tenham de suprimir uma parte de si mesmos – a sua fé – para serem cidadãos ativos; nunca deveria ser necessário renegar a Deus, para se poder gozar dos próprios direitos».[6]

A família, escola de liberdade e de paz

4. Se a liberdade religiosa é caminho para a paz, a educação religiosa é estrada privilegiada para habilitar as novas gerações a reconhecerem no outro o seu próprio irmão e a sua própria irmã, com quem caminhar juntos e colaborar para que todos se sintam membros vivos de uma mesma família humana, da qual ninguém deve ser excluído.

A família fundada sobre o matrimônio, expressão de união íntima e de complementaridade entre um homem e uma mulher, insere-se neste contexto como a primeira escola de formação e de crescimento social, cultural, moral e espiritual dos filhos, que deveriam encontrar sempre no pai e na mãe as primeiras testemunhas de uma vida orientada para a busca da verdade e para o amor de Deus. Os próprios pais deveriam ser sempre livres para transmitir, sem constrições e responsavelmente, o próprio patrimônio de fé, de valores e de cultura aos filhos. A família, primeira célula da sociedade humana, permanece o âmbito primário de formação para relações harmoniosas a todos os níveis de convivência humana, nacional e internacional. Esta é a estrada que se há de sapientemente percorrer para a construção de um tecido social robusto e solidário, para preparar os jovens à assunção das próprias responsabilidades na vida, numa sociedade livre, num espírito de compreensão e de paz.

Um patrimônio comum

5. Poder-se-ia dizer que, entre os direitos e as liberdades fundamentais radicados na dignidade da pessoa, a liberdade religiosa goza de um estatuto especial. Quando se reconhece a liberdade religiosa, a dignidade da pessoa humana é respeitada na sua raiz e reforça-se a índole e as instituições dos povos. Pelo contrário, quando a liberdade religiosa é negada, quando se tenta impedir de professar a própria religião ou a própria fé e de viver de acordo com elas, ofende-se a dignidade humana e, simultaneamente, acabam ameaçadas a justiça e a paz, que se apóiam sobre a reta ordem social construída à luz da Suma Verdade e do Sumo Bem.

Neste sentido, a liberdade religiosa é também uma aquisição de civilização política e jurídica. Trata-se de um bem essencial: toda a pessoa deve poder exercer livremente o direito de professar e manifestar, individual ou comunitariamente, a própria religião ou a própria fé, tanto em público como privadamente, no ensino, nos costumes, nas publicações, no culto e na observância dos ritos. Não deveria encontrar obstáculos, se quisesse eventualmente aderir a outra religião ou não professar religião alguma. Neste âmbito, revela-se emblemático e é uma referência essencial para os Estados o ordenamento internacional, enquanto não consente alguma derrogação da liberdade religiosa, salvo a legítima exigência da justa ordem pública.[7] Deste modo, o ordenamento internacional reconhece aos direitos de natureza religiosa o mesmo status do direito à vida e à liberdade pessoal, comprovando a sua pertença ao núcleo essencial dos direitos do homem, àqueles direitos universais e naturais que a lei humana não pode jamais negar.

A liberdade religiosa não é patrimônio exclusivo dos crentes, mas da família inteira dos povos da terra. É elemento imprescindível de um Estado de direito; não pode ser negada, sem ao mesmo tempo minar todos os direitos e as liberdades fundamentais, pois é a sua síntese e ápice. É «o papel de tornassol para verificar o respeito de todos os outros direitos humanos».[8] Ao mesmo tempo que favorece o exercício das faculdades humanas mais específicas, cria as premissas necessárias para a realização de um desenvolvimento integral, que diz respeito unitariamente à totalidade da pessoa em cada uma das suas dimensões.[9]

A dimensão pública da religião

6. Embora movendo-se a partir da esfera pessoal, a liberdade religiosa – como qualquer outra liberdade – realiza-se na relação com os outros. Uma liberdade sem relação não é liberdade perfeita. Também a liberdade religiosa não se esgota na dimensão individual, mas realiza-se na própria comunidade e na sociedade, coerentemente com o ser relacional da pessoa e com a natureza pública da religião.

O relacionamento é uma componente decisiva da liberdade religiosa, que impele as comunidades dos crentes a praticarem a solidariedade em prol do bem comum. Cada pessoa permanece única e irrepetível e, ao mesmo tempo, completa-se e realiza-se plenamente nesta dimensão comunitária.

Inegável é a contribuição que as religiões prestam à sociedade. São numerosas as instituições caritativas e culturais que atestam o papel construtivo dos crentes na vida social. Ainda mais importante é a contribuição ética da religião no âmbito político. Tal contribuição não deveria ser marginalizada ou proibida, mas vista como válida ajuda para a promoção do bem comum. Nesta perspectiva, é preciso mencionar a dimensão religiosa da cultura, tecida através dos séculos graças às contribuições sociais e sobretudo éticas da religião. Tal dimensão não constitui de modo algum uma discriminação daqueles que não partilham a sua crença, mas antes reforça a coesão social, a integração e a solidariedade.

Liberdade religiosa, força de liberdade e de civilização:os perigos da sua instrumentalização

7. A instrumentalização da liberdade religiosa para mascarar interesses ocultos, como por exemplo a subversão da ordem constituída, a apropriação de recursos ou a manutenção do poder por parte de um grupo, pode provocar danos enormes às sociedades. O fanatismo, o fundamentalismo, as práticas contrárias à dignidade humana não se podem jamais justificar, e menos ainda o podem ser se realizadas em nome da religião. A profissão de uma religião não pode ser instrumentalizada, nem imposta pela força. Por isso, é necessário que os Estados e as várias comunidades humanas nunca se esqueçam que a liberdade religiosa é condição para a busca da verdade e que a verdade não se impõe pela violência mas pela «força da própria verdade».[10] Neste sentido, a religião é uma força positiva e propulsora na construção da sociedade civil e política.

Como se pode negar a contribuição das grandes religiões do mundo para o desenvolvimento da civilização? A busca sincera de Deus levou a um respeito maior da dignidade do homem. As comunidades cristãs, com o seu patrimônio de valores e princípios, contribuíram imenso para a tomada de consciência das pessoas e dos povos a respeito da sua própria identidade e dignidade, bem como para a conquista de instituições democráticas e para a afirmação dos direitos do homem e seus correlativos deveres.

Também hoje, numa sociedade cada vez mais globalizada, os cristãos são chamados – não só através de um responsável empenhamento civil, econômico e político, mas também com o testemunho da própria caridade e fé – a oferecer a sua preciosa contribuição para o árduo e exaltante compromisso em prol da justiça, do desenvolvimento humano integral e do reto ordenamento das realidades humanas. A exclusão da religião da vida pública subtrai a esta um espaço vital que abre para a transcendência. Sem esta experiência primária, revela-se uma tarefa árdua orientar as sociedades para princípios éticos universais e torna-se difícil estabelecer ordenamentos nacionais e internacionais nos quais os direitos e as liberdades fundamentais possam ser plenamente reconhecidos e realizados, como se propõem os objetivos – infelizmente ainda menosprezados ou contestados – da Declaração Universal dos direitos do homem de 1948.

Uma questão de justiça e de civilização:o fundamentalismo e a hostilidade contra os crentes prejudicam a laicidade positiva dos Estados

8. A mesma determinação, com que são condenadas todas as formas de fanatismo e de fundamentalismo religioso, deve animar também a oposição a todas as formas de hostilidade contra a religião, que limitam o papel público dos crentes na vida civil e política.

Não se pode esquecer que o fundamentalismo religioso e o laicismo são formas reverberadas e extremas de rejeição do legítimo pluralismo e do princípio de laicidade. De fato, ambas absolutizam uma visão redutiva e parcial da pessoa humana, favorecendo formas, no primeiro caso, de integralismo religioso e, no segundo, de racionalismo. A sociedade, que quer impor ou, ao contrário, negar a religião por meio da violência, é injusta para com a pessoa e para com Deus, mas também para consigo mesma. Deus chama a Si a humanidade através de um desígnio de amor, o qual, ao mesmo tempo que implica a pessoa inteira na sua dimensão natural e espiritual, exige que lhe corresponda em termos de liberdade e de responsabilidade, com todo o coração e com todo o próprio ser, individual e comunitário. Sendo assim, também a sociedade, enquanto expressão da pessoa e do conjunto das suas dimensões constitutivas, deve viver e organizar-se de modo a favorecer a sua abertura à transcendência. Por isso mesmo, as leis e as instituições duma sociedade não podem ser configuradas ignorando a dimensão religiosa dos cidadãos ou de modo que prescindam completamente da mesma; mas devem ser comensuradas – através da obra democrática de cidadãos conscientes da sua alta vocação – ao ser da pessoa, para o poderem favorecer na sua dimensão religiosa. Não sendo esta uma criação do Estado, não pode ser manipulada, antes deve contar com o seu reconhecimento e respeito.

O ordenamento jurídico a todos os níveis, nacional e internacional, quando consente ou tolera o fanatismo religioso ou anti-religioso, falta à sua própria missão, que consiste em tutelar e promover a justiça e o direito de cada um. Tais realidades não podem ser deixadas à mercê do arbítrio do legislador ou da maioria, porque, como já ensinava Cícero, a justiça consiste em algo mais do que um mero ato produtivo da lei e da sua aplicação. A justiça implica reconhecer a cada um a sua dignidade,[11] a qual, sem liberdade religiosa garantida e vivida na sua essência, fica mutilada e ofendida, exposta ao risco de cair sob o predomínio dos ídolos, de bens relativos transformados em absolutos. Tudo isto expõe a sociedade ao risco de totalitarismos políticos e ideológicos, que enfatizam o poder público, ao mesmo tempo que são mortificadas e coarctadas, como se lhe fizessem concorrência, as liberdades de consciência, de pensamento e de religião.

Diálogo entre instituições civis e religiosas

9. O patrimônio de princípios e valores expressos por uma religiosidade autêntica é uma riqueza para os povos e respectivas índoles: fala diretamente à consciência e à razão dos homens e mulheres, lembra o imperativo da conversão moral, motiva para aperfeiçoar a prática das virtudes e aproximar-se amistosamente um do outro sob o signo da fraternidade, como membros da grande família humana.[12]

No respeito da laicidade positiva das instituições estatais, a dimensão pública da religião deve ser sempre reconhecida. Para isso, um diálogo sadio entre as instituições civis e as religiosas é fundamental para o desenvolvimento integral da pessoa humana e da harmonia da sociedade.

Viver no amor e na verdade

10. No mundo globalizado, caracterizado por sociedades sempre mais multiétnicas e pluriconfessionais, as grandes religiões podem constituir um fator importante de unidade e paz para a família humana. Com base nas suas próprias convicções religiosas e na busca racional do bem comum, os seus membros são chamados a viver responsavelmente o próprio compromisso num contexto de liberdade religiosa. Nas variadas culturas religiosas, enquanto há que rejeitar tudo aquilo que é contra a dignidade do homem e da mulher, é preciso, ao contrário, valer-se daquilo que resulta positivo para a convivência civil.

O espaço público, que a comunidade internacional torna disponível para as religiões e para a sua proposta de «vida boa», favorece o aparecimento de uma medida compartilhável de verdade e de bem e ainda de um consenso moral, que são fundamentais para uma convivência justa e pacífica. Os líderes das grandes religiões, pela sua função, influência e autoridade nas respectivas comunidades, são os primeiros a ser chamados ao respeito recíproco e ao diálogo.

Os cristãos, por sua vez, são solicitados pela sua própria fé em Deus, Pai do Senhor Jesus Cristo, a viver como irmãos que se encontram na Igreja e colaboram para a edificação de um mundo, onde as pessoas e os povos «não mais praticarão o mal nem a destruição (...), porque o conhecimento do Senhor encherá a terra, como as águas enchem o leito do mar» (Is 11, 9).

Diálogo como busca em comum

11. Para a Igreja, o diálogo entre os membros de diversas religiões constitui um instrumento importante para colaborar com todas as comunidades religiosas para o bem comum. A própria Igreja nada rejeita do que nessas religiões existe de verdadeiro e santo. «Olha com sincero respeito esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas que, embora se afastem em muitos pontos daqueles que ela própria segue e propõe, todavia refletem não raramente um raio da verdade que ilumina todos os homens».[13]

A estrada indicada não é a do relativismo nem do sincretismo religioso. De fato, a Igreja «anuncia, e tem mesmo a obrigação de anunciar incessantemente Cristo, “caminho, verdade e vida” (Jo 14, 6), em quem os homens encontram a plenitude da vida religiosa e no qual Deus reconciliou consigo mesmo todas as coisas».[14] Todavia isto não exclui o diálogo e a busca comum da verdade em diversos âmbitos vitais, porque, como diz uma expressão usada frequentemente por São Tomás de Aquino, «toda a verdade, independentemente de quem a diga, provém do Espírito Santo».[15]

Em 2011, tem lugar o 25º aniversário da Jornada Mundial de Oração pela Paz, que o Venerável Papa João Paulo II convocou em Assis em 1986. Naquela ocasião, os líderes das grandes religiões do mundo deram testemunho da religião como sendo um fator de união e paz, e não de divisão e conflito. A recordação daquela experiência é motivo de esperança para um futuro onde todos os crentes se sintam e se tornem autenticamente obreiros de justiça e de paz.

Verdade moral na política e na diplomacia

12. A política e a diplomacia deveriam olhar para o patrimônio moral e espiritual oferecido pelas grandes religiões do mundo, para reconhecer e afirmar verdades, princípios e valores universais que não podem ser negados sem, com os mesmos, negar-se a dignidade da pessoa humana. Mas, em termos práticos, que significa promover a verdade moral no mundo da política e da diplomacia? Quer dizer agir de maneira responsável com base no conhecimento objetivo e integral dos fatos; quer dizer desmantelar ideologias políticas que acabam por suplantar a verdade e a dignidade humana e pretendem promover pseudo-valores com o pretexto da paz, do desenvolvimento e dos direitos humanos; quer dizer favorecer um empenho constante de fundar a lei positiva sobre os princípios da lei natural.[16] Tudo isto é necessário e coerente com o respeito da dignidade e do valor da pessoa humana, sancionado pelos povos da terra na Carta da Organização das Nações Unidas de 1945, que apresenta valores e princípios morais universais de referência para as normas, as instituições, os sistemas de convivência a nível nacional e internacional.

Para além do ódio e do preconceito

13. Não obstante os ensinamentos da história e o compromisso dos Estados, das organizações internacionais a nível mundial e local, das organizações não governamentais e de todos os homens e mulheres de boa vontade que cada dia se empenham pela tutela dos direitos e das liberdades fundamentais, ainda hoje no mundo se registram perseguições, descriminações, atos de violência e de intolerância baseados na religião. De modo particular na Ásia e na África, as principais vítimas são os membros das minorias religiosas, a quem é impedido de professar livremente a própria religião ou mudar para outra, através da intimidação e da violação dos direitos, das liberdades fundamentais e dos bens essenciais, chegando até à privação da liberdade pessoal ou da própria vida.

Temos depois, como já disse, formas mais sofisticadas de hostilidade contra a religião, que nos países ocidentais se exprimem por vezes com a renegação da própria história e dos símbolos religiosos nos quais se refletem a identidade e a cultura da maioria dos cidadãos. Frequentemente tais formas fomentam o ódio e o preconceito e não são coerentes com uma visão serena e equilibrada do pluralismo e da laicidade das instituições, sem contar que as novas gerações correm o risco de não entrar em contacto com o precioso patrimônio espiritual dos seus países.

A defesa da religião passa pela defesa dos direitos e liberdades das comunidades religiosas. Assim, os líderes das grandes religiões do mundo e os responsáveis das nações renovem o compromisso pela promoção e a tutela da liberdade religiosa, em particular pela defesa das minorias religiosas; estas não constituem uma ameaça contra a identidade da maioria, antes, pelo contrário, são uma oportunidade para o diálogo e o mútuo enriquecimento cultural. A sua defesa representa a maneira ideal para consolidar o espírito de benevolência, abertura e reciprocidade com que se há de tutelar os direitos e as liberdades fundamentais em todas as áreas e regiões do mundo.

Liberdade religiosa no mundo

14. Dirijo-me, por fim, às comunidades cristãs que sofrem perseguições, discriminações, atos de violência e intolerância, particularmente na Ásia, na África, no Médio Oriente e de modo especial na Terra Santa, lugar escolhido e abençoado por Deus. Ao mesmo tempo que lhes renovo a expressão do meu afeto paterno e asseguro a minha oração, peço a todos os responsáveis que intervenham prontamente para pôr fim a toda a violência contra os cristãos que habitam naquelas regiões. Que os discípulos de Cristo não desanimem com as presentes adversidades, porque o testemunho do Evangelho é e será sempre sinal de contradição.

Meditemos no nosso coração as palavras do Senhor Jesus: «Felizes os que choram, porque hão-se ser consolados. (...) Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. (...) Felizes sereis quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentido, vos acusarem de toda a espécie de mal. Alegrai-vos e exultai, pois é grande nos Céus a vossa recompensa» (Mt 5, 4-12). Por isso, renovemos «o compromisso por nós assumido no sentido da indulgência e do perdão – que invocamos de Deus para nós, no “Pai-nosso” – por havermos posto, nós próprios, a condição e a medida da desejada misericórdia: “perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”(Mt 6, 12)».[17] A violência não se vence com a violência. O nosso grito de dor seja sempre acompanhado pela fé, pela esperança e pelo testemunho do amor de Deus. Faço votos também de que cessem no Ocidente, especialmente na Europa, a hostilidade e os preconceitos contra os cristãos pelo fato de estes pretenderem orientar a própria vida de modo coerente com os valores e os princípios expressos no Evangelho. Mais ainda, que a Europa saiba reconciliar-se com as próprias raízes cristãs, que são fundamentais para compreender o papel que teve, tem e pretende ter na história; saberá assim experimentar justiça, concórdia e paz, cultivando um diálogo sincero com todos os povos.

Liberdade religiosa, caminho para a paz

15. O mundo tem necessidade de Deus; tem necessidade de valores éticos e espirituais, universais e compartilhados, e a religião pode oferecer uma contribuição preciosa na sua busca, para a construção de uma ordem social justa e pacífica a nível nacional e internacional.

A paz é um dom de Deus e, ao mesmo tempo, um projeto a realizar, nunca totalmente cumprido. Uma sociedade reconciliada com Deus está mais perto da paz, que não é simples ausência de guerra, nem mero fruto do predomínio militar ou econômico, e menos ainda de astúcias enganadoras ou de hábeis manipulações. Pelo contrário, a paz é o resultado de um processo de purificação e elevação cultural, moral e espiritual de cada pessoa e povo, no qual a dignidade humana é plenamente respeitada. Convido todos aqueles que desejam tornar-se obreiros de paz e sobretudo os jovens a prestarem ouvidos à própria voz interior, para encontrar em Deus a referência estável para a conquista de uma liberdade autêntica, a força inesgotável para orientar o mundo com um espírito novo, capaz de não repetir os erros do passado. Como ensina o Servo de Deus Papa Paulo VI, a cuja sabedoria e clarividência se deve a instituição do Dia Mundial da Paz, «é preciso, antes de mais nada, proporcionar à Paz outras armas, que não aquelas que se destinam a matar e a exterminar a humanidade. São necessárias sobretudo as armas morais, que dão força e prestígio ao direito internacional; aquela arma, em primeiro lugar, da observância dos pactos».[18] A liberdade religiosa é uma autêntica arma da paz, com uma missão histórica e profética. De fato, ela valoriza e faz frutificar as qualidades e potencialidades mais profundas da pessoa humana, capazes de mudar e tornar melhor o mundo; consente alimentar a esperança num futuro de justiça e de paz, mesmo diante das graves injustiças e das misérias materiais e morais. Que todos os homens e as sociedades aos diversos níveis e nos vários ângulos da terra possam brevemente experimentar a liberdade religiosa, caminho para a paz!

Vaticano, 8 de Dezembro de 2010.

BENEDICTUS PP XVI
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[1] Cf. BENTO XVI, Carta enc. Caritas in veritate, 29.55-57.
[2] Cf. CONC. ECUM. VAT. II, Decl. sobre a liberdade religiosa Dignitatis humanae, 2.
[3] Cf. BENTO XVI, Carta enc. Caritas in veritate,, 78.
[4] Cf. CONC. ECUM. VAT. II, Decl. sobre as relações da Igreja com as religiões não-cristãs Nostra aetate, 1.
[5] CONC. ECUM. VAT. II, Decl. sobre a liberdade religiosa Dignitatis humanae, 7.
[6] BENTO XVI, Discurso à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (18 de Abril de 2008): AAS 100 (2008), 337.
[7] Cf. CONC. ECUM. VAT. II, Decl. sobre a liberdade religiosa Dignitatis humanae, 2.
[8] JOÃO PAULO II, Discurso aos participantes na Assembleia Parlamentar da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) (10 de Outubro de 2003), 1: AAS 96 (2004), 111.
[9] Cf. BENTO XVI, Carta enc. Caritas in veritate, 11.
[10] Cf. CONC. ECUM. VAT. II, Decl. sobre a liberdade religiosa Dignitatis humanae, 1.
[11] Cf. CÍCERO, De inventione, II, 160.
[12] Cf. BENTO XVI, Discurso aos Representantes de outras Religiões do Reino Unido (17 de Setembro de 2010): L’Osservatore Romano (ed. portuguesa de 25/IX/2010), 6-7.
[13] CONC. ECUM. VAT. II, Decl. sobre as relações da Igreja com as religiões não-cristãs Nostra aetate, 2.
[14] Ibid., 2.
[15] Super evangelium Joannis, I, 3.
[16]Cf. BENTO XVI, Discurso às Autoridades civis e ao Corpo Diplomático em Chipre (5 de Junho de 2010): L’Osservatore Romano (ed. portuguesa de 12/VI/2010), 4; COMISSÃO TEOLÓGICA INTERNACIONAL, À procura de uma ética universal: um olhar sobre a lei natural (Cidade do Vaticano 2009).
[17] PAULO VI, Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1976: AAS 67 (1975), 671.
[18] Ibid.: o.c., 668


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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Frei Jaime Spengler fala sobre suas expectativas após a nomeação como bispo auxiliar de Porto Alegre

O frei Jaime Spengler concedeu entrevista especial para a Pastoral da Comunicação da Arquidiocese de Porto Alegre na última segunda-feira, 29/11. Ele foi nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre no dia 10 de novembro de 2010. Sua ordenação acontecerá no dia 05 de fevereiro de 2011, na cidade de Gaspar, Santa Catarina, sua terra natal.

Como foi receber a notícia de que foi escolhido como novo bispo auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre?

A notícia da nomeação para bispo me tomou de surpresa, e para auxiliar de Porto Alegre foi uma surpresa maior ainda. Jamais imaginei que um dia seria mandado a exercer um ministério dessa envergadura numa capital. Porto Alegre tem uma história marcante, e isso não só a nível regional, mas também nacional. Trata-se de uma Igreja Particular de importância singular.

Estive em Porto Alegre três vezes. A primeira foi quando terminei meus estudos na Europa e precisei reconhecer meu título aqui no Brasil. A PUC de Porto Alegre através do prof. Urbano Zilles conferiu tal reconhecimento. À PUC e ao prof. Zilles sou grato por isso. A segunda vez que estive na cidade foi quando da Beatificação de Barbara Maix. Naquela data já sabia de minha nomeação, embora não fosse pública ainda. Dom Dadeus já tinha ciência da nomeação. Ele me recebeu de uma forma muito bonita e simpática. Marcou-me o seu jeito de ser! Aqueles dois dias em Porto Alegre foram singulares. Um e outro achou estranha minha presença no arcebispado naquele dia, além disso, a familiaridade com D. Dadeus, D. Remídio e Núncio Apostólico creio que tenha chamado a atenção. No entanto, uma pessoa, de forma muito simples, já quando estava de partida, chegou ao meu ouvido e disse baixinho: “Seja bem-vindo! Não tenha medo!” Retribuí o abraço, sem dizer nada.

A cerimônia de beatificação foi muito bonita marcada pela alegria, mas sobretudo pela fé. Chamaram-me a atenção alguns aspectos da vida da Beata Bárbara: Fé, determinação, caridade. Das irmãs, filhas de Barbara Maix, chamou-me a atenção a decisão de abrirem uma casa em Manaus com o objetivo de fazer frente ao desafio de tráfico humano; trata-se de uma realidade desafiadora, triste e da qual poucos tem coragem de falar. Diria que faz parte de algo inerente ao próprio Evangelho: a dignificação e defesa da vida, seja em que situação esta se encontrar. Oxalá as irmãs possam levar a termo a obra inaugurada!

A terceira vez que estive na Capital foi quando da reunião dos bispos do Regional Sul 3 da CNBB. Viajei para Santa Maria com D. Remídio. Foi uma oportunidade para conversarmos e também nos conhecermos. Durante a reunião tive a oportunidade de conhecer os bispos do Rio Grande do Sul, suas preocupações, mas sobretudo suas alegrias e esperanças . Quando retornamos a Porto Alegre fui conhecer um pouco mais a cidade. Chamou-me a atenção sua extensão, como toda cidade grande, ela oferece tantas possibilidades, mas também apresenta muitos desafios. Encontrei pessoas no corre-corre do cotidiano, que trabalham, lutam pelo pão de cada dia; encontrei jovens, adolescentes, crianças, estudantes; encontrei idosos. Mas também vi delinquência, vi pobreza, vi situações de fratura social. Tudo isso fala de um desafio! Fala do desafio de ser presença evangelizadora no meio de uma realidade complexa!

Diante de tudo isso, diria o seguinte: estou indo para Porto Alegre com boa disposição! Pronto para ‘o que der e vier’. Gosto do que sou e gosto do que faço. Encontrei pessoas nessa nova realidade, muito acolhedoras. Creio que tudo isso concede o necessário para um bom trabalho. No mais, que o bom Deus nos ajude!

Como está sua preparação para o dia da ordenação, em 05 de fevereiro de 2011?

A preparação está andando. Na verdade, estou sobrecarregado. Fui nomeado bispo auxiliar, mas continuo como superior do Convento e pároco aqui em Curitiba, além de professor e das atividades junto à Associação Franciscana de Ensino Senhor Bom Jesus – entidade mantenedora da Rede de Colégios Bom Jesus. Minha agenda está tomada até o dia 22 de dezembro. Na noite de Natal pretendemos inaugurar o restauro do presbitério da matriz aqui em Curitiba. Depois disso pretendo ir me liberando.

Em janeiro pretendo ir novamente a Porto Alegre; pretendo estar presente na celebração do dia 01 de janeiro de 2011 – solenidade da Mãe de Deus. Quero me preparar para a ordenação; pretendo fazer um bom retiro, de uns 10 dias. Pretendo ir para um eremitério em Santa Catarina, onde eu possa me dedicar à leitura, meditação e oração. A ordenação é um momento único! Um momento de celebração litúrgica, marcado pela fé. E isso a requer recolhimento!

Quanto à celebração e comemoração da ordenação existem várias pessoas empenhadas na preparação. A ordenação ocorrerá num sábado de manhã, 05/02/2011, às 09h30 da manhã. Escolhi realizar a ordenação na minha terra natal devido ao fato de meus pais estarem já bastante idosos, e devido à comemoração dos 150 anos de fundação da Freguesia de São Pedro Apostolo. Dali partiram missionários que a mais de um século fundaram não poucas comunidades de fé no interior do Vale do Itajaí (SC). Para a paróquia se trata de uma celebração ímpar. O horário escolhido visa facilitar a participação seja de bispos, seja de sacerdotes e religiosos, seja dos fiéis. Nesse período do ano, temos temperaturas elevadas. Na parte da manhã temos temperaturas mais agradáveis.

A Paróquia de Gaspar (SC), está empenhada em preparar bem esse evento. O pároco, frei Germano Guesser (ofm), quer propiciar boa acolhida a todos que desejarem participar desse momento de graça. Existe a preocupação com hospedagem, alimentação, acolhimento para todos. Foram criadas equipes de serviço que estão empenhadas em oferecer o melhor.

Quais suas expectativas como bispo auxiliar da maior província eclesiástica do país?

Minhas expectativas são as de poder servir da melhor forma possível a Igreja presente em Porto Alegre. Vou para a cidade levando meu coração, minha mente, minha história marcados pelo espírito franciscano. Assumi a nomeação em espírito de ‘obediência e reverência ao Santo Padre’. Tenho a convicção que ser ministro do Evangelho na realidade contemporânea requer boa disposição, equilíbrio, amor pelo Evangelho e fé. É o Senhor que chama: “não fostes vós que me escolhestes; fui eu que vos escolhi...” Isto proporciona uma certa serenidade. Aquele que chama, também inspira, orienta, sustenta, corrige.

A Arquidiocese de Porto Alegre possui um bom número de sacerdotes, diáconos e seminaristas. Possui muitos religiosos e religiosas. É uma Igreja atenta à missão, e à “ad gentes”. Tudo isso está dizendo de um vigor, de uma força que a sustenta. Portanto, não se pode ter medo. O que sinto é ‘temor e tremor’. Temor porque conheço minhas limitações, fraquezas, fragilidade; tremor pelas proporções da Arquidiocese, e pelos desafios e exigências da contemporaneidade. Mais: a Arquidiocese possui sobretudo uma multidão de homens e mulheres de ‘boa vontade’, e que de tantos modos estão engajados nos diversos setores da sociedade; e ali, muitas vezes de forma discreta - senão anônima, estão empenhados em viver os valores do Evangelho! Assim, todos juntos, de mãos dadas, com o olhar voltado para aquele no qual “vivemos, nos movemos e existimos”, haveremos de nos tornar sempre mais ‘servas e servos humildes da vinha do Senhor’, engajados na obra da construção de uma “Terra sem males”.

Ao final da entrevista, o frei deixou uma bela mensagem ao povo gaúcho que lhe aguarda.

O ano de 2010 está chegando ao seu tramonto. O Natal está à porta. Natal é para nós a celebração da ternura, do aconchego, celebração da Palavra que se faz pequena; tão pequena que cabe numa manjedoura. A Palavra se fez carne, se fez criança a fim de podermos compreendê-la. Na encarnação, no Natal a Palavra assumiu um rosto: o rosto de Jesus de Nazaré. Desse homem, que como diz São Pedro nos Atos dos Apóstolos, “passou por entre nós fazendo o bem”. Nós, hoje, somos os discípulos e as discípulas desse homem! O Natal está sempre e de novo recordo este evento: O evento da Palavra que assumiu rosto humano, e que nos pede para viver em “justiça e piedade”.

Francisco de Assis queria ver com os olhos da carne como isso aconteceu. Por isso pediu a seus frades que representassem plasticamente esse evento. Nasceu assim a representação do Natal: o presépio. Hoje, em não poucas praças, lares, Igrejas continuamos a representar esse evento. Vendo com os olhos da carne, somos convocados a transpor o olhar, ou seja, perceber o que significa sermos amados por Deus. É isso que o Natal sempre e de novo quer nos recordar: Deus nos ama!

Gostaria de desejar a todos um santo e abençoado Natal. Que o menino Deus – o rosto humano de Deus – possa renascer em cada pessoa, em cada família, em cada grupo social. Que tudo aquilo que o Natal inspira – paz, harmonia, amor, serenidade, justiça, fé – possa se tornar realidade no seio de nossa sociedade.

Dia 01 de janeiro estaremos celebrando a solenidade da Mãe de Deus, padroeira da Arquidiocese de Porto Alegre. Também nesse dia estarão tomando posse os novos representantes do povo, tanto na esfera política nacional, quanto estadual. Por isso, gostaria de saudar as mulheres e os homens que se dedicam à atividade política, desejando que as virtudes da Mãe de Deus – presteza, sensibilidade para as necessidades do povo, solidariedade, atenção à tradição, oração – sejam de inspiração e de orientação para todos nós que recebemos a tarefa, o ministério de nos colocar a serviço do nosso povo atentos, especialmente, às necessidades dos mais necessitados e dos mais fracos. Que o bom Deus abençoe a todos.

Fonte: http://www.arquidiocesepoa.org.br/paf.asp?catego=11&exibir=147

Padre Agenor Girardi é nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre

O arcebispo de Porto Alegre, dom Dadeus Grings, anunciou nesta quarta-feira, 22, na Rádio Aliança a nomeação do pe. Agenor Girardi (MSC), como novo bispo auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre. Padre Agenor, que a partir de agora passa a ser monsenhor, é pároco da paróquia São José, que fica no município de Francisco Beltrão, no Parana. Ele aguarda a data de sua ordenação, que será marcada para o ano de 2011.

Suas primeiras palavras após a nomeação foram: “Quero saudar com estima e espírito de comunhão fraterna, em primeiro lugar nosso arcebispo Dom Dadeus Grings, também Dom Altamiro Rossato, arcebispo emérito, bem como o bispo auxiliar Dom Remídio José Bohn, e o futuro bispo auxiliar, Frei Jaime Spengler.

Quero saudar também os meus irmãos presbíteros do clero diocesano, como os de congregações religiosas. Tenho presente aqui as pessoas de Vida Consagrada, os religiosos e as religiosas, os seminaristas e ao povo pertencente a esta circunscrição eclesiástica da Igreja Católica no estado do Rio Grande do Sul, as comunidades, as pastorais, os movimentos eclesiais, e as lideranças leigas.

Com espírito de fé e obediência aceitei o pedido de Sua Santidade, o Papa Bento XVI, para ser bispo auxiliar. A notícia da nomeação me deixou muito surpreso, e mais surpreso ainda fiquei quando escutei o nome de Porto Alegre, uma Igreja Particular de tamanha extensão e tantos desafios pastorais.

Com humildade e espírito de abertura, estando atento aos apelos do Espírito, sabendo também de minhas limitações é que desejo servir da melhor maneira possível, ouvir muito e construir a comunhão eclesial entre nós.

Confiando na graça de Deus, contanto com vosso apoio e orações meu coloco a serviço desta nova missão que a Igreja me pede. Que Maria, Mãe de Deus, a nossa padroeira, nos proteja sempre.

Com meus votos de um santo Natal pleno de amor e de paz e os melhores votos para 2011, me despeço com minhas preces e meu abraço fraterno!”

Padre Agenor Girardi, MSC

Nascido em 02 de fevereiro de 1952, em Orleans, Santa Catarina, Diocese de Tubarão, é missionário do Sagrado Coração. Emitiu votos de profissão religiosa da Congregação dos Missionários do Sagrado Coração, em 01 de fevereiro de 1982. Foi ordenado sacerdote em 05 de setembro de 1982.

Formação

Realizou o ensino fundamental no Seminário Menor São José, em Francisco Beltrão, Diocese de Palmas – Francisco Beltrão, Parana (1966/70), após cursou o ensino médio no Colégio Estadual Mario de Andrade, em Francisco Beltrão (1971/77); estudou Filosofia na Pontifícia Universidade Católica de Campinas, São Paulo (1975/77); cursou Teologia na Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, São Paulo, SP (1979/1982); também realizou o curso de especialização em Teologia Espiritual na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma; também fez o Curso de Espiritualidade no CETESP, no Rio de Janeiro, RJ.

Serviços como sacerdote

Atuou como vigário paroquial na Paróquia Santa Rita de Cássia em Marmeleiro, Diocese de Palmas – Francisco Beltrão, PR, em 1982; após foi pároco e reitor do Santuário Nossa Senhora do Sagrado Coração, Curitiba, PR, no período de 1999/2001; também foi vigário paroquial da Paróquia São José, em Francisco Beltrão, de 2002 a 2009; é membro do Conselho Presbiteral da Diocese de Palmas – Francisco Beltrão, desde 2007; e pároco da Paróquia São José Diocese de Palmas - Francisco Beltrão, que assumiu no ano de 2009.

Encargos como religioso

Foi vice diretor do Seminário São José, em Francisco Beltrão, no ano de 1983; diretor do Seminário São José, em Francisco Beltrão, de 1984 a 1988; mestre de noviços em Pirassununga, Diocese de Limeira, SP, no período de 1991 a 1995; coordenador do CETESP, no Rio de Janeiro, RJ, de 1996 a 19998; superior da Comunidade de Curitiba, Parana, entre 1999 e 2001; reitor da Casa de Teologia em Curitiba, Parana entre 2001 e 2002; e assessor da CRB para orientação de retiro e outros cursos para vida consagrada.


Fonte: http://www.arquidiocesepoa.org.br/paf.asp?catego=11&exibir=183

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Como será o ano de 2011???

Por Berenice Tricerri Ferreira

A esta altura não param de pipocar as “predições” relativas ao ano que desponta. É vasta a divulgação sobre o que as cartas, os búzios, os astros, e tantas outras práticas – para as quais vemos clara proibição de Deus em Deuteronômio 18 – “dizem” estar reservado para o mundo em termos de política, de economia, de catástrofes, de acontecimentos positivos, etc., etc., etc. Na esfera da vida pessoal muitos recorrem à “simpatias” ou “meios mágicos” que venham lhes garantir “sorte” no amor, prosperidade nas finanças, saúde plena, etc., etc., etc.

Mas o que afinal de fato acontecerá no ano de 2011???

Isso, só Deus sabe!!!

A grande certeza, e que há pouco comemoramos, é: um Menino nos foi dado e seu nome é Jesus, nosso Senhor e Salvador. Se realmente cremos nisto, então não há motivo para desassossegos, para antecipações. Nosso Deus, que é o Amor perfeito, só tem planos de amor para as nossas vidas. É por este motivo que mesmo as pedras que vamos encontrando ao longo do caminho, quando por nós não desperdiçadas, acabam se constituindo em degraus que nos permitem subir a patamares mais elevados de crescimento, de amadurecimento, de conhecimento, de santidade. “Todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus”, nos afirma São Paulo em Rm 8,28.

Teremos, pois, sim, inúmeras alegrias e realizações, mas também dificuldades a enfrentar no ano de 2011. Para saber disso não precisamos ser adivinhos. Esta é a dinâmica da vida. Importa é procurarmos viver bem o presente, que é um inestimável "presente" ofertado a nós, e confiantemente entregarmos nosso futuro nas mãos do Senhor do tempo e de todas as coisas visíveis e invisíveis... Nas mãos Daquele que tudo vê e sabe (Deus é Onisciente), que tudo pode (Deus é Onipotente), e que a todo instante, em todos os lugares, conosco está (Deus é Onipresente).

Em Mateus 6,31-34, Jesus nos fala: "Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo".. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado O verbo "buscar" lembra-nos que a confiança e espera no Senhor por parte do cristão são ativas, e não passivas e alienantes. Deus chama-nos a colaborar com a sua graça.

A palavra de Deus e sua imutável fidelidade representam sólida base onde podemos ancorar sem reservas nossa confiança. Como refere o Cardeal Van Thuan em uma de suas preciosas obras intitulada Cinco Pães e Dois Peixes, “a humanidade encontra-se muito incerta, confusa e preocupada, mas a palavra de Deus não desaba: percorre a história e, na mudança dos acontecimentos, permanece estável e luminosa”. Deus jamais desprezou e tampouco abandonou àqueles que a Ele se confiaram, que Nele esperaram. Mesmo quando somos infiéis Deus permanece fiel, e não pode desdizer-se (2Tm 2,13). Deus não desiste de nós em circunstância alguma.

Uma vez fiel, e sendo o amor perfeito, Deus não pode deixar de nos amar. Portanto, continuará a percorrer nossa história de vida com seu amor ágape. Deus não esquece de nós jamais: “Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, eu não te esqueceria nunca. Eis que estás gravada na palma de minhas mãos, tenho sempre sob os olhos tuas muralhas” (Is 49,15-16).

Assim, podemos iniciar este Ano Novo fazendo coro com a voz de São Paulo e do Salmista: “Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas que por todos nós o entregou, como não nos dará também com Ele todas as coisas?” (Rm 8,31-32). Descansa, pois, ó minha alma, “confia ao Senhor a tua sorte, espera nele: e ele agirá” (Sl 36,5).

FELIZ ANO NOVO!!!



fonte: http://www.mundoalegraivos.com/2010/12/como-sera-o-ano-de-2011.html

Pior sapato para se usar...

RIO - O maior inimigo dos pés das mulheres é o salto alto, certo?

Errado, segundo um ranking feito pela Associação Americana de Podólogos.

Para os especialistas, os piores calçados são os chinelos e as sandálias tipo rasteirinha, seguidos pelo salto agulha e os sapatos de bico fino.
Os melhores sapatos são aqueles que dão apoio ao calcanhar, não comprimem os dedos e têm cadarços ou tiras que seguram o calçado no lugar - explica o podólogo Andrew Shapiro, que coordenou o levantamento.

Confira como alguns sapatos podem prejudicar a sua saúde:

Chinelos e sandálias rasteirinhas: Segundo Shapiro, o problema não é usar chinelos, mas sim usar estas sandálias como se fossem sapatos normais.
Chinelos são para a praia ou para a piscina, não para longas caminhadas ou para serem usados o dia inteiro.
Eles deixam o pé solto, não oferecem suporte ao calcanhar e ainda forçam o joelho.
Seu uso prolongado aumenta o risco de dores na lombar, tendinite e fascite plantar, uma dor intensa na sola dos pés. Como não protegem a região, também aumentam o risco de dedos quebrados, torções, bolhas e arranhões.


Salto agulha: Quanto mais alto for o sapato, maior é o seu efeito negativo nos pés e na coluna. Qualquer sapato com mais de cinco centímetros de salto é prejudicial, principalmente se for do tipo agulha, afirma Shapiro.
Usar salto todo dia encurta o tendão de Aquiles e causa dores nos pés, nas pernas, quadris, na lombar e até na cervical.
- Além disso, o salto alto e fino coloca muita pressão nos dedos e na sola. Isto pode causar uma dor crônica ou até mesmo fraturas microscópicas na planta do pé.
A melhor solução é não usar salto alto todo dia.
Se isto for impossível, Shapiro recomenda não usar saltos com bico fino, que causam a maior pressão nos dedos, e indica palmilhas de gel, à venda em farmácias, para aliviar a pressão.

Sapatos de bico fino: Não importa se são altos ou baixos. Os dois tipos aumentam a pressão na planta e nos dedos.
O uso prolongado pode causar uma inflamação crônica dos nervos entre os dedos dos pés, que costuma melhorar apenas com injeções, fisioterapia ou até mesmo cirurgia.
Para Shapiro, o melhor mesmo é evitar este tipo de calçado.
Outra solução é comprar o sapato meio ou um número maior para aumentar o espaço entre os dedos.

Sapatilhas: Os sapatos baixos que viraram moda nos últimos anos são quase tão perigosos quanto os chinelos, alerta Shapiro.
Isto porque eles não apóiam o calcanhar e também deixam os pés soltos.
Assim como as sandálias rasteiras, elas aumentam o risco de tendinites, dores nos joelhos e na lombar, e inflamações crônicas na sola dos pés.

O ideal é comprar uma sapatilha com uma sola um pouco mais grossa e um salto pequeno, de um ou dois centímetros, para aliviar a pressão no calcanhar e na coluna.

Fonte: O Globo de 07/12/10